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A hora e a vez das mulheres

Esmenia Costa (membro da ACIB Mulher), Adriana Flosi (presidente da ACIC e vice-presidente da FACESP e JUCESP) e Telma Ambrósio (presidente da ACIB Mulher), batem um papo descontraído sobre protagonismo feminino na sociedade

 

  Em entrevista exclusiva, a presidente da ACIC e vice-presidente da FACESP e JUCESP, Adriana Flosi fala sobre protagonismo feminino.

Durante o 19º Congresso da Facesp, realizado em Atibaia, as integrantes da ACIB Mulher tiveram um bate-papo descontraído com a presidente da Associação Comercial de Campinas e vice-presidente da FACESP e da Junta Comercial de São Paulo, Adriana Flosi.

Grande exemplo de liderança feminina, ela falou sobre temas relacionados à mulher e como encarou sua trajetória também como mãe, empresária e cidadã.

A participação da mulher no mercado de trabalho e na posição de liderança sofreu modificações significativas ao longo do tempo. Atingimos o ideal?

Apesar da percepção geral que o protagonismo da mulher e a liderança das mulheres nas organizações estão melhorando, os números ainda mostram que é muito aquém do desejado. É muito pequeno o número de mulheres que participam dos cargos de liderança. Podemos ter um volume grande de mulheres nas organizações, mas quem é o chefe? Quem é o gerente? Se uma empresa tem 10 coordenadores, destes, quantos são mulheres? Tem 10 gerentes, quantos são mulheres? Por isso, é importante que a gente fale sempre da questão da equidade de gêneros. Falar da igualdade entre as pessoas, não só de gênero, mas de raça, sexo.

 

Você percebe que a dinâmica organizacional, por conta da maior participação da mulher, vem sofrendo mudanças?

Em 2015, durante o Global Summit of Women, divulgaram o número de mulheres em conselhos de administração e em cargos de diretoria no mundo e na América Latina. O Brasil tem apenas 6% de mulheres nos cargos de conselho de administração. Se você contar com aquelas que estão lá simplesmente por serem da família, muitas vezes não tem um homem para assumir e eles são obrigados a ficar com aquela mulher, esse número vai para 3%. Isso é muito insignificante diante do universo que a gente ainda tem para conquistar.

 

O que poderia ser feito para mudar esse quadro?

Seria importante que a gente tivesse uma política de cotas dentro das empresas. Que se você tem 10 gerências, metade seja ocupada por mulheres, pelo menos de 30 a 50% pra você ter uma certa equidade. Que fosse obrigatório também a mulher ganhar o mesmo que homem. O salário tem que ser igual.

 

Mas a desigualdade salarial ainda persiste no país…

Quando falamos sobre despertar as pessoas para o protagonismo da mulher, sobre equidade salarial, é importante que a gente fale isso também com os homens. Não adianta falar só entre nós. Quando eu falo para o público, normalmente os homens acabam ficando incomodados. Nem uso mais a palavra empoderamento feminino, que ficou até pejorativa. Parece que só queremos ter o poder. E não é nada disso. Pergunto aos homens se eles têm filhas ou netas. E dou o seguinte exemplo, porque eu tenho três filhos homens. Se o meu filho estudou com a sua filha, nós tivemos o mesmo investimento financeiro. Estatisticamente, as mulheres tiram melhoras notas que os homens na escola. E nós somos 52% da população, mas 60% das pessoas que têm nível universitário. Agora, a pergunta que eu faço: eles vão concorrer a um cargo na mesma empresa. Só que o meu filho vai ganhar R$10 mil e a sua filha R$7 mil. Está bom para você, você fica contente? Você está satisfeito? É esse o futuro que você quer para a sua filha? É esse o futuro que você quer para sua neta? Então, se você não quer isso, vamos começar a tomar providências agora.

 

A mulher também ainda sofre com o machismo?

Sim, por exemplo, numa promoção para um cargo de diretoria, o homem precisa escolher entre três homens e uma mulher. A mulher se destaca, ela é melhor. Seria a escolha natural, mas a primeira pergunta que ele faz é a seguinte: será que ela vai dar conta? Para o homem, eles não têm esse tipo de dúvida. E a mulher acaba se sentindo insegura. Então, mesmo nos dias de hoje, a gente ainda sofre ainda com o machismo, sofre com uma violência doméstica velada. Porque a gente cria os filhos desta forma? A gente vive num mundo que o machismo ainda está impregnado. Mas percebemos também que as novas gerações estão melhorando essa percepção e esse comportamento. Por exemplo, os meus filhos têm uma maneira diferente já de olhar para a questão da criação dos filhos e divisão das tarefas da casa. Mas se a gente for esperar isso acontecer de forma natural, sem que a gente tome providências, leva mais de 90 anos pra que as mulheres tenham salários iguais.

 

Como é ser uma mulher em cargo de liderança?

 Eu fui a primeira mulher presidente da Associação Comercial de Campinas em 90 anos, isso foi em 2010. A Associação ano que vem vai fazer 100 anos. Mas nós também não tivemos outras mulheres dispostas a estar neste cargo. Eu vejo isso também na política, sou a vice-presidente nacional do Partido PSD Mulher. Na Junta Comercial também fui a primeira mulher em 128 anos. Não sabemos se é por falta de oportunidade, são muitos os elementos intrínsecos para a não participação da mulher. A mulher tem um papel que não é só o dela na empresa ou na política, tem sempre uma carga a mais na nossa casa, com os filhos. E daí a gente sempre se sente culpada. Vou largar meus filhos pra fazer ginástica? Vou largar meus filhos pra cuidar da Associação Comercial? Mas e os homens, eles pensam isso? Que ele vai largar os filhos para ir na Associação Comercial? Então eu acho que a gente tem que dividir mais esse papel. E não se sentir tão culpada, porque a mulher carrega muito esse peso, como se esse peso fosse só nosso.

 

 

Adriana Flosi
discursa
durante o 19º
Congresso da
FACESP

 

 

 

 

 

 

 

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