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Por onde devemos começar?

Encerramos 2018 com um novo presidente eleito e um clima de polarização para superar. Quais são os pilares para reencontrarmos o caminho do crescimento e conciliarmos pessoas diferentes em torno de um país mais justo para todos?

Confira nosso especial com uma coletânea do que lideranças dos setores empresarial e industrial apontam como as prioridades que precisam entrar na pauta do governo federal a partir de 1º de janeiro de 2019.

 

Acabamos de passar por uma das eleições mais polarizadas de nossa história e, terminado o pleito, temos o compromisso de superar diferenças para atuar colaborativamente a favor de um país melhor.

A crise dos últimos anos afetou drasticamente o empresário brasileiro, e a dor do setor corporativo sangrou também nas feridas do cidadão, que precisa de dignidade, renda e políticas públicas eficientes para sobreviver e conquistar melhores condições de vida.

O efeito Bolsonaro

Temos um novo presidente eleito: Jair Bolsonaro. Amado por uns e muito temido por outros, o novo líder do executivo brasileiro foi eleito com 55,13% dos votos válidos no último dia 28 de outubro, em um resultado democrático que torna sua vitória inquestionável. A partir do momento de sua nomeação, em 1º de janeiro de 2019, e mesmo agora, há um mês de assumir o cargo, seu primeiro papel é claro: dissolver a impressão de extremismo que ajudou a popularizar seu discurso durante a campanha e mostrar uma postura conciliatória que o permita ter abertura para dialogar com o Congresso Nacional e lideranças de diversos setores, sem incorporar condutas que possam criar um clima tenso com a oposição ou prejudicar a política internacional do país.

Entre outros aspectos, porém, a sensação de estabilidade após o resultado das urnas e os primeiros movimentos de transição, como anúncio de nomes do primeiro escalão e detalhamento do plano de governo, têm tido resposta positiva do mercado, como a quarta queda consecutiva da inflação em 2018 e do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Pilares da renovação

Para que possamos entender melhor que tipo de conduta Jair Bolsonaro e sua equipe precisam ter para serem bem-sucedidos na tarefa de renovar com inteligência as políticas públicas nacionais, a Revista ACIB Negócios fez uma coletânea do que importantes lideranças do setor privado têm apontado como pilares fundamentais para uma boa gestão. Entre os especialistas estão ainda economistas autores da Carta Brasil, um conjunto de diretrizes econômicas formulada pelo grupo intitulado “Economistas do Brasil”, composto por cerca de 200 profissionais, entre eles Octavio de Barros (ex-economista-chefe do Bradesco), Elena Landau (ex-diretora do BNDES) e Alexandre Schwartsman (ex-diretor do Banco Central), com a finalidade de tirar o país de sua pior crise fiscal e colocar a economia na rota do crescimento sustentável. O documento foi endereçado ao novo governo e prioriza, além da questão econômica, políticas de combate à pobreza, controle do desmatamento e reconhecimento de terras quilombolas e indígenas.

 

Previdência

A reforma da Previdência é fundamental. Não dá resultado a curto prazo. Mas, a cada ano que deixamos de fazê-la, é mais um ano de déficit no futuro. Não há mais espaço, no Brasil, para aumentar impostos. A carga tributária é bastante elevada. Para ter mais receita, a chave é melhorar o ambiente de negócios e acabar com a informalidade.

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI- Confederação Nacional da Indústria

 

Mercado

O varejo no Brasil, assim como o mundial, passa por um momento de reorganização do parque de lojas físicas e, nesse cenário, o pequeno lojista é o que mais sofre quando há sustos na economia, pois ele depende do crédito. Com a retomada, porém, ele é o que mais se beneficia, pois esse crédito volta, e a um custo mais acessível.

Quanto ao consumidor, é preciso reforçar a tese da confiança, independente do cenário: afinal, o consumo só existe em função desse consumidor estar empregado, ter acesso ao crédito e estar confiante no futuro do país.

Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo

 

Tripé essencial

O próximo presidente, Jair Bolsonaro (PSL) herdará uma economia ainda em fase de lenta recuperação, que, para elevar a tração, necessitará de uma condução sensata da política econômica, reestabelecendo o chamado modelo do “tripé macroeconômico”, baseado em três alicerces fundamentais: meta de superávit fiscal primário, sistema de metas de inflação e taxa de câmbio flutuante.

Com relação à primeira base, corroída por anos sucessivos de irresponsabilidade fiscal, será de vital importância, além de cortar despesas desnecessárias, seja por conta da ineficiência, seja por conta da corrupção, realizar uma profunda reforma do sistema previdenciário, que seja ampla, geral e irrestrita.

Somente desse modo se poderá voltar a gerar saldos fiscais positivos, suficientes para pagar os juros da dívida do Governo e parte de seu valor total, estabilizando o crescimento de seu endividamento, que ameaça a solvência futura de suas contas.

Em termos do sistema de metas de inflação, será importante continuar assegurando a qualidade da política monetária, o que dependerá não somente dos profissionais chamados a integrar a presidência e as diretorias do Banco Central, como também do grau de independência técnica na determinação da taxa básica (Selic).

Seria bastante apropriado que essa independência adquirisse status formal, a partir de uma Lei aprovada para tanto, e não somente operacional como tem sido até aqui, dependendo da “vontade” do governante de turno.

Por sua vez, a política cambial deveria continuar sendo norteada pela manutenção do regime flutuante, a partir do qual a taxa de câmbio varia de acordo com as entradas e saídas de moeda estrangeira no País, com intervenções esporádicas da autoridade monetária, quando suas flutuações sejam consideradas excessivas.

Na medida em que o Setor Público não gaste em demasia, haverá menor pressão sobre a inflação, o que, por conseguinte, demandará menores níveis para a taxa Selic, compatibilizando inflação baixa com maiores taxas de crescimento econômico.

A taxa de câmbio flutuante, além de funcionar como “preço” da moeda estrangeira, variando para equilibrar as contas externas, deixa a atividade econômica menos exposta aos altos e baixos da economia mundial.

O “tripé” macroeconômico, implementado no final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, já provou sua eficácia durante quase uma década, até ser substituído pela política econômica desastrosa dos Governos Lula e, principalmente, Dilma.

É hora de retomar o modelo de política econômica que deu certo, evitando cair na tentação populista de soluções aparentemente fáceis, mas, desastrosas, ao final.

Boletim de Conjuntura Econômica, Instituto Gastão Vidigal

 

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